Tuesday, May 4, 2010

El secreto de Mis ojos

Fomos ver El Secreto de tus Ojos (ou The Secret of their Eyes, já que estamos em NY), o filme argentino que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro. Fomos no Angelika, um cinema que fica no subsolo e, quando passa o metrô, ele treme. Na primeira vez que fui lá levei um susto; hoje em dia acho engraçado ouvir aquele barulhinho de metrô ao fundo.

Mas o que queria contar mesmo é que nunca tinha visto filme em espanhol com legenda em inglês. E sabe o que aconteceu? Deu um caimbra no meu cérebro. Passei uma meia hora sem saber se olhava para a legenda ou prestava atenção no que os atores falavam. Eu entendo um pouco de espanhol, mas não tudo. E por mais que fale inglês, não é a minha primeira língua, não é tão natural quanto português. Enquanto tentava ler as legendas, acabava ouvindo também as falas. E a estrutura das frases é ao contrário! E junte-se a isso a sala tremendo com o metrô. Confuso, muito confuso...

Sunday, May 2, 2010

(Quase) Cabum

Vocês viram o carro bomba ontem na Times Square? Eu não. Estava pertinho, e não vi nadica de nada. A gente foi ao teatro, nove ruas acima de onde estava o carro. Estávamos atrasados, saímos do metrô correndo e não notamos nada estranho - as sirenes irritantes e intermináveis são algo normalíssimo. Depois do teatro, fomos comer ali pela região, e reparamos pessoas andando no meio de uma rua.

"Olha, Ti, pessoas andando no meio da rua", disse eu.
"É, ta fechada a rua, ta vendo? Não ta passando carro", respondeu ele.
"Ah, é", encerrei o assunto.

E foi isso. Atravessamos a rua fechada e fomos comer um belo hamburguer na esquina seguinte. Só quando chegamos em casa é que vimos as notícias.

Hoje fiquei desapontada que ninguém ligou pra saber se estamos bem.

"Nem nossos pais...", comentei com o Tiago.
"Mas a bomba não explodiu! Se tivesse explodido, aposto que eles ligavam", respondeu ele, me consolando.

Thursday, April 29, 2010

Eu to voltando pra casa

Depois de um longo e tenebroso inverno, estamos de volta a nossa casinha. Tenho que admitir que o longo e tenebroso inverno teve direito a viagem a Búzios, mate com biscoito Globo em Ipanema e jantarzinhos com amigas queridas. Sofri muito, como podem ver.

Eis que chegamos hoje, depois de muitas horas de viagem com direito a pit stop em Charlotte (que fica na Carolina do Norte, sabiam?), e rolou uma certa frustração. Nestas semanas fora, perdemos o processo de verderização (oi?) da cidade. Saímos com a maioria das árvores peladinhas, e voltamos com elas já verdinhas. Agora nunca saberemos como isso ocorre. Pra descobrirmos, só ficando até a próxima primavera, né, amor?

Mas o bom é que agora começa a melhor parte do ano, com piqueniques no gramado e sol até tarde. Minha resolução de ano novo do momento (imaginem que o ano começa em maio) é voltar a tentar andar de patins. Será que agora consigo?

E, só pra terminar este post de boas vindas, tenho que contar que me senti verdadeiramente em Nova York agora há pouco, quando vi um ilustre habitante nova-iorquino na minha rua: um ratinho, bem à vontade, sem medo de ser feliz.

Tuesday, April 6, 2010

Sumiço, parte 2 - A Missão

Sim, andei sumida. De novo. Eu sei, eu sei. Ainda tomo jeito. Tenho algumas historinhas pra contar, e prometo contar em breve. Mas agora tenho que arrumar malas, limpar a casa, trabalhar um pouquinho e organizar a cabeça antes de pegar um avião amanhã pra tomar um pouquinho de chuva na terrinha.

Só resolvi passar aqui e dar um "oi" porque uma pessoinha querida acaba de me mandar o seguinte recado:

Era uma vez uma amiga que tinha um blog. E depois esqueceu. Fim.


Então... oi! E tchau! Volto logo, tá?

Wednesday, March 17, 2010

Lâmpada mágica

Tudo aconteceu muito rápido. Precisávamos de uma luminária para o nosso escritório. A luz pifou e eu decidi não substituí-la. Era uma luz daquelas de cozinha, brancas, que eu detesto. Resolvi que seria melhor botar uma luminária com luz amarela indireta. As lojas moderninhas de Manhattan só têm luminárias caras. As mais tradicionais só têm luminárias horrorosas - e caras. Sobrou a Ikea, uma rede sueca com loja no Brooklyn onde compramos praticamente a casa inteira. Mas e a preguiça de ir até a Ikea comprar uma coisa só? É longe, demora pra chegar, eu vou acabar inventando de comprar mais do que devia e vou voltar, cheia de tralha, me xingando no metrô.

Diante deste grave problema, eis que vou jogar o lixo fora tarde da noite e, assim que adentro a salinha do lixo (tem uma salinha onde jogamos o lixo), dou de cara com uma luminária. Oi? Eu olhei para ela, ela olhou para mim, fiz uma análise rápida para ver se não havia algum fio solto ou aparência de que algo estava quebrado. Nada. Agarrei a pobre coitada e saí correndo com ela pelo corredor. Eu sei que não estava roubando nada. Mas vai que dou de cara com o ex-dono da luminária? Caio dura de vergonha na hora.

Chego na frente do apartamento e a porta tinha batido. Começo a tocar a campainha - com cuidado para não fazer muito barulho e chamar a atenção dos vizinhos - e o Tiago vem lentamente atender. Assim que ele abre, eu e a luminária pulamos para dentro. E ela funciona, direitinho.

Desde então, toda vez que vou jogar o lixo fora mentalizo alguma coisa para ver se a encontro lá na salinha. Até agora, nada. Voltou a ser uma salinha sem graça. E sem poderes mágicos. Triste, triste.

Wednesday, March 10, 2010

O fim


O inverno começa a dar sinais de despedida, e já é possível ver o pôr do sol assim, ao ar livre, sem o vento congelante que machuca o rosto. E eu só tenho uma coisa a dizer: ieeeei!

Monday, March 8, 2010

Rock on!

Qualquer experiência de musical na Broadway vem acompanhada de um quê de cafonice. Falo isso sem um pingo de preconceito com musicais, que fique claro. Eu gosto deles, na maior parte das vezes. E acho que a elaboração de um bom musical é trabalho de gênio, pois pense como deve ser difícil escrever uma peça ou um filme partindo da premissa de que as pessoas devem se comunicar cantando sem que isso pareça esquisito. Imagine um amigo que, em vez de simplesmente dizer como se sente diante de um problema, demora uma canção inteira, com direito a passinhos ensaiados e piruetas, para expressar seus sentimentos. Haja paciência.

Mas eis que tivemos uma ótima experiência no fim de semana: Rock of Ages. Estão lá todos os elementos básicos do musical, como uma história de amor mal resolvida entre o mocinho e a mocinha e o conflito entre o bem e o mal, além de atores com vozeirão e muitas piruetas. A diferença? Há várias: uma banda de rock no palco, uma trilha sonora formada por sucessos do rock farofa dos anos 80 e garçonetes que circulam pela platéia pegando pedidos ("we have basically a full bar, sir", ouvi uma delas dizer para um empolgado espectador atrás de mim).

A peça se passa num bar de roqueiros em Los Angeles no fim dos anos 80. Está lá toda a aura exagerada daquela época: cabelões, mullets, jaquetas com tachinhas, cores berrantes. Parte da platéia, já animada por poder beber na poltrona do teatro, se empolga cantando as músicas. E olhando as pessoas em pé batendo papo durante o intervalo - olhando também o tamanho da fila do banheiro - a impressão que se tem é que se está numa festa, e não numa peça. Toda a cafonice proposital de Rock of Ages o torna nada cafona.